Quando a drag Yuhua Hamasaki fez sua entrada triunfal na décima temporada de RuPaul’s Drag Race, outra competidora achou que ela fosse japonesa. Mas a artista, que migrou da China aos Estados Unidos com sua família há 20 anos, diz que seu trabalho engloba elementos de diversas culturas asiáticas. Em entrevista à coluna Queer Voices do Huffpost, ela nos conta que sua etnia é um fator fundamental na formação da sua personagem, e que não se conforma com o que as pessoas esperam dela.

Hamasaki, que hoje tem 27 anos e se identifica como um individuo genderqueer, herdou o talento para a costura de sua mãe. Morando no bairro Chinatown de Nova York, ela sofreu com o choque de culturas, a falta de dinheiro e sua identificação de gênero, se sentindo atraída logo na adolescência pela comunidade gay. Através de sua drag, aprendeu desde cedo a confeccionar seus próprios figurinos glamurosos e a se sentir parte da comunidade LGBTQ.

“Na adolescência, como meus pais não falavam inglês e não tinham dinheiro, então eu e minha irmã precisamos amadurecer cedo, cuidar da casa e pagar as contas. Quando descobri os bares gays, eu finalmente senti que não estava sendo julgada ou criticada. Ali eu podia me expressar como quisesse, ser quem realmente sou. E a única forma de entrar nesses bares era montada e com um documento falso.” – Yuhua Hamasaki

Na vida pessoal, Yuhua procura levar suas aventuras amorosas e sexuais com bom humor. Ela se relaciona se apresentando tanto quanto homem quanto como mulher, e conta que há diferenças marcantes entre ser um indivíduo asiático do gênero masculino ou feminino.

“Para mim, ser uma mulher é mais fácil. Como um garoto asiático, nunca consigo me relacionar com ninguém. Mulheres asiáticas são estereotipadas como sexy, atraentes, charmosas e boas de cama. Homens asiáticos… não. Se você não for asiático é diferente, isso é muito reforçado pela mídia. Então a própria mídia precisa começar a mudar a forma que o público nos enxerga.”

A artista se diz orgulhosa por representar a comunidade asiática no programa RuPaul’s Drag Race, mas espera estar lutando contra esses estereótipos:

“Nós, asiáticas, deveríamos ser supostamente quietas e obedientes. Então quando estou montada, as pessoas presumem que serei assim. Mal elas sabem que minhas apresentações são muito barulhentas e engraçadas. Pego a personagem da gueixa, que as pessoas esperam ser recatada, e a transformo em uma devassa que fala besteiras. Não sou quieta, submissa nem obediente.”

Alcançar a auto-estima e o amor próprio que tem hoje, sendo uma imigrante asiática nos Estados Unidos, não foi uma jornada fácil. Mas ela espera que haja em sua história uma lição para outras pessoas sobre simplesmente ousar ser o que se quer ser:

“Eu posso ser homem ou mulher e ainda ser maravilhosa. Sei que sou um bom exemplo às pessoas. Não sou submissa, apesar das pessoas terem me exigido que eu fosse. Todos temos o poder de ser o que quisermos, então siga sua própria jornada.”

Amém, Yuhua!

Fonte: Queer Voices