Ed Razek se desculpou publicamente ano passado por declarações transfóbicas sobre o estrelado casting de angels da marca.

Lembra quando Ed Razek, diretor de marketing da Victoria’s Secret, polemizou ao afirmar que modelos trans não deviam compor o cobiçado time de angels, pois “o show se trata de uma fantasia”?

Muito que bem, após a controvérsia, ele veio a público se desculpar.

No entanto, Razek pediu demissão logo após a marca fechar contrato com a brasileira Valentina Sampaio, declaradamente uma mulher trans.

Valentina publicou um vídeo de um ensaio para a linha Pink, voltada para um público mais jovem, com a legenda “Nunca pare de sonhar”.

Ainda assim, a contratação da modelo transgênero tem sido encarada como cinismo por parte da marca.

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A informação de que a Razek vai se aposentar, publicada por meio de uma nota em nome de Leslie Wexner (Presidente e Diretora Executiva da empresa-mãe da marca, L Brands), chega em um momento em que a Victoria’s Secret tem enfrentado críticas crescentes no pós #MeToo e Time’s Up, movimentos encabeçados por atrizes hollywoodianas contra assédio sexual e estupro .

Há algumas problemáticas em torno do conceito criativo da Victoria’s Secret: o enaltecimento ao corpo e à hiperssexualização que a marca promove tem sido rotulado como ultrapassado e machista, bem como a contratação exclusiva de modelos muito magras para compor o casting; aqui a crítica é sobre o conceito de padrão de beleza da marca, que representa uma ameaça real diante da concepção saudável atual de se lidar com autoestima e imagem.

As lingeries minúsculas, que figuram como carro-chefe da Victoria’s Secret, também não conseguem acompanhar a tendência de sutiãs e roupas íntimas inspiradas em moda esportiva, que prioriza conforto.

E dá-lhe dedo no koo e gritaria: Razek concedeu uma entrevista à Vogue no ano passado na qual ele também alegava que modelos plus size não se encaixavam na proposta da marca, e que o público não tinha “interesse” em vê-las.

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Posteriormente, ele também pediu desculpas por suas observações “insensíveis”.

A marca enfrentou consequências; a visualização do desfile de 2018, ofuscado pela reação aos comentários do diretor, apresentou uma baixa histórica acompanhada de um vertiginoso declínio nas vendas e no fechamento de lojas.

E por fim, mais dedaria e grito no cool: semana passada, rolou uma notícia de que o desfile de 2019 seria cancelado. A Victoria’s Secret se recusou a comentar.