Imagine a seguinte situação: você conhece ele. Aquele que parece que foi criado por Deus sob medida pra você. Ele é tudo o que você sempre quis. Bonito, culto, carinhoso, com uma pegada incrível! Quantas vezes isso já te aconteceu? E aí, você pensa: “mas será que ele gosta de mim tanto quanto eu gosto dele?”. O que fazer? As pessoas hoje em dia têm medo de se entregar a grandes paixões.

Mas por quê? Medo de sofrer? As alegrias da vida só são boas porque nós já passamos por situações tristes. Tudo na vida é comparativo. A gente só aprende a não colocar o dedo na tomada depois que toma um choque. Mas a gente também só sabe o quanto chocolate é gostoso porque já experimentou jiló! Mas pense na primeira vez em que você comeu chocolate. Você olha aquela barra marrom. O cheiro é delicioso. Enebriante. Vale a pena você deixar de comê-lo só porque existe a chance de ser ruim?

Então por que caralhos a gente deixa de se entregar a uma paixão só porque existe a chance dela não dar certo? É muito melhor ser feliz, mesmo que só um pouquinho com alguém, do que nunca ser feliz, sozinho. A gente não pode viver a vida deixando de fazer as coisas que deseja por medo delas darem errado. Eu, como não sei sentir mais ou menos, gostar pela metade, me entrego. Me apego à possibilidade – mesmo que remota – de dar certo. Às vezes dá. Muito mais frequentemente, não. Só que a gente tem que se concentrar no período em que foi bom.

Não faz bem focar no ruim. A gente já sofre tanto na vida que a abordagem tem que ser sempre pelo bom, senão a depressão toma conta. Quer? Tenta! Se não der certo, parte pra outra. Só não dá pra viver uma vida arrependido de não ter aproveitado todas as oportunidades que a vida te deu. Dói? Muito. Mas a dor só existe quando houve alegria. 

Entregue-se. Permita-se. No final da vida, vai te fazer bem.