Quase metade das mulheres que fazem sexo com mulheres já se sentiram pressionadas a se comportar sexualmente de uma certa forma por um parceiro.

A estatística foi parte dos resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Bem-Estar Sexual para mulheres que fazem sexo com mulheres, divulgada pela LGBT Foundation, no Reino Unido.

A pesquisa ocorreu entre agosto e novembro de 2018, reunindo mais de 2.500 entrevistadas em temas como consentimento, prazer, confiança corporal, acesso a serviços, discriminação e violência sexual.

“Mulheres que fazem sexo com mulheres preferem ter acesso a serviços de saúde sexual em ambientes comunitários e voluntários”, diz Claudia Carvell, da organização.

De acordo com a LGBT Foundation, a pesquisa representa o maior corpo de trabalho com foco no bem-estar sexual das mulheres LBT em mais de uma década e um dos maiores estudos desse tipo já realizados.

A pesquisa indicou que 45% das mulheres que fazem sexo com mulheres se sentiram pressionadas por uma parceira sexual.

Entre as pessoas trans e não-binárias o número é ainda maior, com 36% das pessoas trans dizendo que sempre ou frequentemente se sentiram pressionadas por parceiros sexuais, em comparação com apenas 13% para mulheres cisgênero – aqueles que se identificam com o gênero atribuído no nascimento.

No geral, apenas dois terços das mulheres LBT entrevistadas disseram que se sentiam confiantes durante o sexo com parceiras anteriores e mais 69% se sentiam confiantes o suficiente para conversar sobre o sexo que queriam ter com suas parceiras sexuais anteriores.

Além disso, 42% das entrevistadas indicaram ter sofrido violência sexual, mas apenas 55% daquelas que procuraram apoio para sobreviventes de violência sexual relataram receber a ajuda necessária.

Claudia Carvell, Coordenadora do Programa de Mulheres da Fundação LGBT, explicou que as descobertas da pesquisa sobre mulheres LBT são úteis para aumentar a visibilidade das experiências de mulheres que fazem sexo com mulheres, ao mesmo tempo que ilustram o trabalho que ainda precisa ser feito para lidar com as desigualdades. e experiências particulares que essas mulheres enfrentam.

“A orientação sexual e o monitoramento do status trans são absolutamente essenciais para lidar com as lacunas significativas no conhecimento e nas evidências, assim como é quebrar as respostas para analisar a idade e a etnia”, disse Carvell.

Ela acrescentou: “Educação sexual em escolas totalmente inclusivas de pessoas LGBTI é igualmente vital para melhorar o bem-estar das mulheres lésbicas, bissexuais e trans.”

“Também sabemos, a partir desta pesquisa, que as mulheres que fazem sexo com mulheres preferem ter acesso a serviços de saúde sexual em ambientes comunitários e voluntários – o comissionamento desses serviços especializados deve ser uma prioridade”.

Você, mulher LBT, acha que essa pesquisa reflete a situação da maioria das mulheres aqui no Brasil também? Você já se sentiu pressionada sexualmente por alguma parceira?