É muito engraçado as pessoas ainda acharem que tudo pelo que os gays lutam é exagero, que tudo pra gente é homofobia. Pensarem que “se pode haver o orgulho gay, por que não pode haver o orgulho hétero?”. “Se existe a consciência negra, por que não pode existir a consciência branca?”. Mais curioso ainda é ver e ouvir essas pessoas cujos maiores conflitos pessoais e sociais são “que roupa eu vou vestir?” ou “em que bar a gente vai assistir à luta?”.

Pessoas que não sabem o que é pensar em não usar certa roupa, ou não ir a certo lugar porque podem haver pessoas homofóbicas, tudo pra não ser alvo de preconceito.

Pessoas cujos maiores orgulhos foram de ter sempre sido a gatíssima do colégio que pegava todos os caras lindos, ou de ter sido o líder do grupinho que sacaneava o gordinho na escola. Grande orgulho, hein?

Pessoas que nunca vão ter ideia do que é não querer ir à escola dia após dia pra não ser obrigado a aguentar risadas, comentários, xingamentos. Pessoas que não sabem o que é, muitas vezes, cogitar seriamente o suicídio, seja pra não “decepcionar” a família, seja por não suportar a dor de ser humilhado como o centro das atenções. Mas que, ainda assim, vão vivendo dia após dia superando os preconceitos desses, que são tão orgulhosos por causar esses sentimentos em outros seres humanos.

São pessoas que nunca vão saber o que é ter medo de andar na rua e ser espancado por alguém que tem como motivo única e simplesmente ódio – não por sua personalidade, mas por uma simples característica sua. Queria convidar todos os héteros a parar pra pensar em quando foi a última vez que se sentiram vítimas de preconceito de verdade.

No final das contas, mesmo que seja um exagero, você que me desculpe, eu vou continuar exagerando.