Eu me considero uma uma pessoa otimista. Sorridente. Feliz até. Gosto da sensação que o pensamento positivo me proporciona. De verdade. Tenho inclusive uma amiga que sempre comenta isso dizendo que jamais conseguiria ser assim. Ela, de fato, tem bastante bagagem. Uma vida cheia de altos e baixos. Mas, ora, eu também tenho. Meus amigos mais próximos que o digam. Só eles sabem as ‘poucas’ e ‘boas’ pelas quais eu já passei. E ainda passo.

Mas eu sinto que, de fato, a positividade abre os meus caminhos. As coisas acontecem, fluem, andam, sabe?

É claro que é difícil ser sempre otimista. Principalmente porque as pessoas à minha volta tendem a achar que, porque eu não procuro compartilhar as dores, minha vida é só coisa boa. Mas eu de fato acho que reclamar nunca me trouxe coisa boa. Por isso, há um tempo optei por tentar ser uma pessoa positiva.

Porque acho que não preciso usar como desculpa ou escudo as duas doenças crônicas que trato – e provavelmente tratarei pelo resto da vida -, os casos de homofobia (recentes inclusive), a solidão, a carência, a falta de laços familiares mais profundos, entre outras coisas para ser uma pessoa triste, reclamona, revoltada… Todo mundo tem seus demônios, mas acho que é de responsabilidade de cada um lidar com eles – ou buscar ajuda para isso.

Isso eu também tenho buscado refletir aqui no QueerFeed. Eu busco não noticiar acontecimentos ruins, que me façam sentir mal ou desesperançoso. Procuro, sim, fazer uma curadoria de matérias que estimulem gerar discussões para solucionar problemas da sociedade.

Tragédia por tragédia pura e simples, a internet está cheia. Notícia ruim sempre dá um jeito de chegar na gente.

Agora, de discussão, argumentação, problematização, a gente tem que correr atrás. Desconstruir paradigmas e pré-conceitos tem que partir de nós mesmos.

Mas confesso que ultimamente tem sido difícil de se esquivar de matérias ruins e tragédias. Tem sido difícil manter a positividade.

O problema de evitar o contato com notícias ruins é que a gente precisa ter cautela para não cair na besteira de achar que essaas coisas ruins não acontecem mais.

Então é importante, sim, falar do tiroteio na escola, traçar o paralelo entre isso e a ideia de ridícula de que armar a população é a solução para a violência, tem que falar, sim, da moça que morreu carbonizada porque o monstro do namorado a viu sendo estuprada e ficou com ciúme. Tem que falar do homem que estuprou a idosa de 101 anos, do YouTuber que apanhou dos PMs por homofobia

A gente tem, sim, que lembrar que o mundo é um lugar perverso. Não para que pensemos que nossas perversidades são menos piores que as outras. Mas para se forçar a tentar livrar o mundo de tanta maldade.

Para lembrar que furar fila, jogar lixo no chão, fazer gato de energia, expor as imagens das pessoas nuas na internet, sonegar imposto, julgar o próximo, são todas coisas perversas. Para a gente lembrar que quando a gente tira vantagem em alguma coisa, a gente tá fazendo outra pessoa pagar por isso. Sempre.

Se as coisas estão como estão, é culpa nossa. É sua. É minha. É do presidente e de cada uma das pessoas que o elegeu fazendo arminha com a mão. Em um grau ou em outro.

A gente tem que lembrar que todas as nossas ações têm consequências. Não é fácil. Não mesmo. Nós somos humanos. Somos falhos. Erramos. Às vezes feio. Às vezes nem tanto.

E nisso eu acho que a positividade me ajuda. Porque quando a gente acha que as coisas ruins só acontecem com a gente, a gente tende a legitimar as merdas que fazemos. Já o otimismo me permite sempre achar que amanhã vai ser melhor ou que se está ruim para mim, eu consigo fazer a vida do outro ainda melhor, mesmo que para massagear meu próprio ego.

Se é certo, eu não sei. Mas se faz bem para outra pessoa e ainda me faz sentir bem, não tenho por que não fazer.

A vida é assim. São muitas nuances mesmo. Às vezes é difícil mesmo. Às vezes a gente só quer sumir, e tudo bem também. Mas a gente tem que valorizar viver uma vida boa e do bem. Porque, como eu li em um tweet por aí, 2019 tá vindo para fazer a gente valorizar a vida. A nossa, a de quem a gente ama. Porque tudo pode acontecer. Aproveitar o tempo que temos enquanto o temos. De uma hora para outra, o barril de pólvora pode explodir.

Então porque não viver uma vida buscando motivos para sorrir? Valorizando cada céu azul, cada sorriso, cada gargalhada, cada abraço?