A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo está logo ali e celebrações estão acontecendo no mundo todo para celebrar o Mês do nosso Orgulho!

Milhões de pessoas vão marchar e protestar pelas ruas de todos os continentes em apoio aos direitos LGBTQ. Só em São Paulo são esperadas mais de 3 milhões.

É incrível ver muita solidariedade e força, especialmente em um momento em que parece que estamos sendo atacados diariamente.

Nos últimos meses, parece que já demos alguns passos para trás, os ataques estão em ascensão e as redes sociais (ou a internet de uma forma geral) têm sido uma fossa de ódio.

O atual clima político tóxico revelou muitas visões homofóbicas e transfóbicas profundas, os fanáticos estão ganhando muito tempo no ar e eu já cansei.

Vimos o debate sobre educação transformar-se em raiva à medida que os manifestantes se reúnem fora das escolas, o que, infelizmente, despertou o interesse de alguns políticos oportunistas e, em seguida, o presidente da República desmerecendo a decisão do STF de criminalizar a homofobia.

Ver políticos usando nossos direitos como alimento político é decepcionante e vergonhoso, mas não é surpresa – eu só espero que as pessoas lembrem disso quando votarem.

É realmente hora de a mídia e as organizações pararem de dar poder e legitimar essas visões e “crenças pessoais” e começarem a lembrar que a religião não é desculpa para fanatismo e discriminação. Ponto final.

Eu não tenho mais paciência para as pessoas que afirmam que não precisamos do Orgulho.

Temo que nos tornamos complacentes com os direitos LGBTQ. Fizemos um progresso enorme, mas os eventos recentes revelaram muitos preconceitos e os efeitos estão se espalhando por nossa comunidade.

Já estamos com muito medo de dar as mãos ou demonstrar afeto em público, e agora as pessoas têm medo de sair à noite. Muitos estão vivendo com medo, com medo de existir em público e isso quebra meu coração.

Crimes de ódio estão em ascensão. Entre 2015 e 2018, houve mais de 31.000 ataques direcionados à comunidade LGBTQ e são os que foram relatados. Mais recentemente, vimos mulheres gays atacadas em um ônibus em Londres por se recusarem a entreter um grupo de homens beijando-se, e dois gays foram drogados, estuprados e um morto. Esta é Londres em 2019 e isso me assusta.

No Brasil então, nem se fala.

A comunidade trans foi submetida a campanhas implacáveis ​​de abuso e difamação, seus aliados e apoiadores foram atacados de forma perversa, e os TERFs continuam atacando agressivamente pessoas trans diariamente lá fora. Por aqui, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans nu mundo!

Basta!

Cansei do ódio, dos ataques e do fato de que não nos sentimos seguros. Este é o Mês do Orgulho – o nosso mês! Nós deveríamos estar comemorando o quão longe nós chegamos, especialmente porque este ano marca 50 anos desde a Revolta de Stonewall, o nascimento do movimento LGBTQ e das Paradas do Orgulho (mesmo que no Brasil isso tenha só uns 25 anos).

Mas, em vez disso, estamos alimentando incêndios de ódio à esquerda, à direita e no centro.

Parte meu coração pensar naqueles que lutam com sua identidade ou sexualidade, aqueles que não têm ninguém com quem conversar. Eles são as maiores vítimas.

Um relatório recente do Trevor Project mostra que quase 40% dos jovens LGBTs pensaram em suicídio. Se isso não for suficiente para te convencer de que temos um problema, eu não sei o que é.

Quanto mais cedo a educação inclusiva começar, melhor – não podemos falhar outra geração.

Para quem precisa de lembrança; Nosso direito de existir não está mais em debate, não estamos quebrados e não precisamos corrigi-lo.

Não são só más notícias. Recentemente, Botsuana e Butão descriminalizaram a homossexualidade, e Taiwan e Equador legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal criminalizou a homofobia.

Estamos progredindo em todo o mundo, mas estamos em risco, mesmo em alguns dos lugares mais aceitáveis.

Eu não quero preocupar as pessoas, mas todos nós precisamos saber com o que estamos lidando. Por favor, tome cuidado quando estiver na rua, especialmente quando estiver sozinho e durante a noite. Procure um pelo outro e, se vir alguém com problemas, faça o que puder. Nem sempre é seguro se aproximar para avaliar a situação. Solicite ajuda e denuncie.

Erga-se!

Cinquenta anos atrás, nosso movimento começou quando nossa comunidade deu um basta em ser tratada como lixo. Cinquenta anos desde que nossa revolução começou e nós temos muito chão pela nossa frente.

Neste Mês do Orgulho LGBTQ, é nosso dever marchar mais alto, mais forte e mais orgulhoso.

Marchar pelas as pessoas que não têm o luxo de serem livres, marchar para aqueles que são criminalizados e tratados como animais, marchar para nossa família que foi atacada, aprisionada e morta.

Quase um terço do mundo ainda persegue abertamente as pessoas LGBTQ, vamos enviar uma mensagem alta e clara que não estamos indo a lugar nenhum, e vamos ganhar a guerra contra o ódio.

Mantendo a nossa família trans, eles estão ao nosso lado desde o começo. É a nossa vez de defender os seus direitos e ser o melhor aliado possível.

Não estaríamos onde estamos hoje sem Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e nossos irmãos trans. Lembre-se disso.

Viva sua melhor vida. Você nunca sabe quem está assistindo ou quem você está inspirando e dando coragem para serem si mesmos. Quando eu estava crescendo, costumava olhar para aqueles que vivem livremente suas vidas. Agora é nossa vez de inspirar e fazer com que nossos jovens se sintam vistos, ouvidos e representados.

Você é forte, você é poderoso e importa – nunca se esqueça disso.
Não se enganem, vivemos em tempos incertos e os direitos LGBT estão sob ameaça.

Mas nós temos a vantagem – nossa comunidade é cheia de esperança, felicidade e força. Eles são alimentados pelo ódio, divisão e ignorância e, finalmente, esse será o seu desaparecimento.

É hora de reacender o espírito de Stonewall e permanecermos unidos. Até que todos nós possamos viver nossas vidas sem medo de perseguição, o Orgulho sempre será um protesto.

Fique seguro e levante a cabeça nesta temporada do Orgulho.

Lindíssimo texto adaptado do Gay Times.