Recentemente se completou 1 ano desde que uma nova cidade me adotou.

É curioso perceber como o outono traz de volta algumas das sensações, cheiros e memórias dos dias em que havia acabado de chegar, cheio de intenções, ideias e vontades. A temperatura começa a baixar novamente, como se numa tentativa sutil de avisar que os dias mais frios (e elegantes!) do ano estão para chegar. O frio e a atmosfera na cidade – que começa finalmente a deixar de lado a euforia do verão, quando todos entram em uma corrida desenfreada pela diversão e descontração que só o calor, o sol e a proximidade com o litoral permitem – me transportam, de vez em quando, a dias de extrema confusão, quando tudo era novidade e todas as pessoas pareciam exóticas. Coisas de menino deslumbrado.

Mal sabia (talvez soubesse, mas não me lembrava) que a vida é estranha, muda a toda hora, e todos os paradigmas uma hora se quebram. As esperanças e objetivos às vezes se perdem, às vezes continuam firmes e fortes. Papo de velho, né? Mas à medida em que o tempo passa e as experiências se acumulam, essa lógica de constante mudança passa a se mostrar óbvia, gritante… Difícil de ignorar.

Os primeiros meses na nova realidade foram de extremo desapego. Desapego de ideias pré-concebidas e de limitações que a vida em outro lugar me proporcionou. Já os meses que se seguiram foram de aprendizado: aprendi a reorganizar minha identidade, meus hábitos e costumes, e a me adaptar à nova rotina, que a essa altura já não era mais novidade. A fase que seguiu à de aprendizado foi a da reflexão. Há quem chame de nostalgia, eu chamo de reflexão, e tiro dela a seguinte conclusão sobre o poder da mudança. A mudança, quando planejada e buscada com esforço, vem para o bem. Às vezes vem para o bem até mesmo quando não há planejamento e chega assim, de surpresa!

Só quem muda, sabe o quão difícil e delicioso é mudar. Mudar de cidade, de atitude, de profissão, de casa, de amor, enfim, mudar. Eu mudei muito mais do que esperava e achava que era capaz, e continuo mudando. Mas não foi apenas uma simples troca de ambiente que possibilitou essa evolução: foram principalmente as pessoas presentes, as experiências vividas, os momentos desfrutados e as decepções. Sim, principalmente as decepções!

Durante toda a vida ouvimos um velho ditado: “vivendo e aprendendo”. Há algum tempo ouvi mais um: “é fazendo merda que se aduba a vida”. Pois é, proponho então unirmos os dois raciocínios, supondo que “só aprende quem faz m*rda”. Aliás: “só aprende, e vive, quem não tem medo de fazer m*rda”. De tentar mudar, corrigir quando a mudança vem para o pior, e evoluir quando vem para o melhor. E isso pode ser feito em qualquer lugar, em qualquer contexto.

Quem faz da mudança um hábito acaba se tornando uma espécie de viciado em novas experiências. Sente uma necessidade constante do sentimento de liberdade e fascinação que uma chacoalhada nos paradigmas proporciona. Percebe, finalmente, que o mundo é muito grande, que há muita gente interessante por aí, e que limitar-se a apenas um estilo de vida pode ser um desperdício de tempo e energia. Arrisco até a dizer que quem muda, vive constantemente de férias, impulsionado pelo risco e a dúvida sobre os resultados e consequências de cada mudança.

É essa a vantagem de ter coragem, arriscar e mudar: se não der certo, muda de novo. Vamos praticar a mudança?