Na última semana, a internet noticiou a relação do jogador de rugby da liga inglesa Sam Stanley, com Laurence Hicks, e todas as manchetes citaram o fato da relação “romper preconceitos”. O jogador, que foi o primeiro do esporte a se assumir gay, se declarou ao namorado para o site da revista Gay Times.

Sam disse à imprensa que a relação salvou sua vida, foi decisiva para sua recuperação de uma depressão, e que antes de conhecer o parceiro chegou a pensar em suicídio. Afinal, como revelar publicamente o fato de ser gay e sentir atração por gordinhos mais velhos, quando se é visto pela comunidade como um exemplo de masculinidade e padrão de beleza? Com o namorado, Sam aprendeu que poderia amar, ser amado e sentir orgulho disso. Uma bela história de amor e afeto que emocionaria a todos os leitores, não é mesmo? Mas as acontece que Laurence Hicks tem 50 anos de idade e é gordinho, enquanto Sam tem 23 anos e o corpo de um atleta olímpico. Ops!

Quebrar preconceitos? No meu ver, a divulgação da história de Sam e Laurence serviu para escancarar muitos preconceitos dentro da comunidade gay.

Os comentários nas redes sociais (principalmente em páginas brasileiras voltadas ao público gay) são nojentos e colocam em pauta assuntos como o preconceito (inclusive a Gordofobia) no meio gay. Eu conheço diversos casais fisicamente parecidos com esse, e nenhum deles se baseia em interesse, dinheiro ou “sugar daddies”, termo que muitos adoram utilizar para se referir a homens mais velhos que sustentam financeiramente parceiros mais novos.

Ursos e homens maduros têm muito mais admiradores do que as pessoas imaginam, mas esses admiradores muitas vezes escondem suas preferências justamente pelo medo de serem acusados de interesse financeiro, ou apenas julgados pelos corpos de seus parceiros.

Me espanto com tanto preconceito e hipocrisia no meio gay, justamente onde lutamos para defender o “diferente”. O caso nos lembra de que ainda temos diversas barreiras a serem quebradas dentro da própria comunidade LGBT, se quisermos um dia alcançar nossos ideais de igualdade e diversidade. Uma pena.

Menos preconceito e mais amor, por favor!

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