Ainda bem que em português ser e estar não são a mesma coisa. Eu quase sempre estou muitas coisas que nunca quero ser. — Tati Bernardi.

Hoje em dia as pessoas não sabem mais até que ponto as coisas que elas fazem são para elas mesmas ou para os outros. É um pelo que você apara, disfarça a maneira escandalosa de espirrar, vai 6 dias na semana à academia, e vai se refazendo e se modelando, sem nem ao menos ter a ideia exata de que é isso mesmo que você quer pra tua vida.

A gente vai tentando se enquadrar nos padrões que alguém, em algum momento da história, decidiu que era o correto.

Você já parou para analisar um quadro da época do renascentismo? Todo mundo tinha uma pancinha, tinha cara de saudável, mas o tempo vai mudando as perspectivas e as realidades. Primeiro descobre-se que a atividade física é um modo saudável de vida e que o bacon vai te matar. Passado um tempo descobre-se que excesso de atividade física pode fazer mais mal do que o bacon. A vida vai assim, cíclica, e a gente nem percebe o que acontece. Daí você quer ter aquele corpo padrão, refeição padrão, vida padrão.

E sabe o que sobra? Mais um. Isso mesmo, você se tornou apenas mais um. Nem melhor, nem pior e talvez nem mais saudável que ninguém.

Enquanto os músculos crescem os cérebros atrofiam e parece que ninguém mais se importa com o balanço. O equilíbrio gostoso entre você fazer a atividade física por todos os hormônios que irão te deixar feliz e ser mais saudável na vida, com aquele x-bacon delicioso com o melhor amigo no balcão da padaria perto da casa dele.

A vida é feita de altos e baixos. Uma hora você está lá em cima, no topo da montanha russa.

Você foi subindo devagar, praticamente puxado, e quando chega no topo a coisa vai devagar, desenvolvendo e então vem a descida, violenta, rápida. Você cai sem nem saber até onde chegou. Você tem a certeza que vai abrir um buraco no chão, e às vezes abre mesmo, e você desce até achar que não tem mais como, daí vem a curva pra esquerda, depois pra direita, você sobe um pouco, vai reto, desce e quando vê, olha só, está subindo de novo! A vida é uma montanha-russa, baby. O problema é que a gente está esquecendo de quem pilota ela. Nós mesmos.

E fica difícil saber até onde estamos nessa montanha-russa por escolha ou por termos sido violentamente empurrados. E não me importa se foi a sociedade ou alguém.

Estamos cada vez mais perdidos dentro de nós mesmos, procurando estar tantas coisas que até esquecemos do que é ser.

Sobre o autor do artigo:
Carlo Enrico é paulistano, talentosíssimo, e escreve sempre em seu blog pessoal, 27 bobagens.

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