Quando criamos o blog, eu e o Filipe Gazen passamos por diversos nomes até chegarmos no famigerado – e apaixonante – QueerFeed. Mas sabíamos que eventualmente teríamos que explicar a importância do termo Teoria Queer para a cultura gay e, assim, justificar o nome para quem nos lê.

Saiba que esse artigo está sendo constantemente atualizado! Afinal, a todo tempo, a gente tá se informando e aumentando nosso conhecimento sobre a Teoria Queer! 😉

Então comecemos do princípio:

O termo Queer

Queer pode ser usado para representar pessoas gays, lésbicas, bissexuais e trans. Passou a denominar grupo de pessoas dispostas a romper com a heteronormatividade homofóbica.

Historicamente falando, foi um termo introduzido significando algo estranho, peculiar, ridículo, excêntrico, raro. Há registros de que, em Londres, na Inglaterra, existia inclusive uma “Queer Street”, onde viviam os gays, prostitutas, pessoas pobres e marginalizadas. Lá se concentravam os “pervertidos” e “devassos”. Daí, para se tornar algo pejorativo, foi um pulo.

O termo queer, então, passou a ser usado como ofensa, tanto para homossexuais, quanto para travestis, transexuais e todas as pessoas que desviavam da norma cis-heterossexual. Queer era o termo para os “desviantes”. Não há em português um sinônimo claro, talvez, como propõe a professora Berenice Bento, possamos pensar o queer como “transviado”.

Oscar Wilde

Oscar Wilde foi o primeiro famoso a ser chamado de queer no sentido de viadinho, quando foi preso. Ele foi um escritor, poeta e dramaturgo britânico famoso do final na segunda metade do século 19. Seu único romance foi O Retrato de Dorian Gray de 1890, que virou filme em 2009, dirigido por Oliver Parker, com Colin Firth.

Quando foi viver em Londres, passou a ter uma vida social agitada, e logo ficou caracterizado pelas atitudes extravagantes. Assim, ele foi convidado para oferecer várias palestras nos Estados Unidos sobre o movimento estético fundado por ele, que defendia o belo como antídoto para os horrores da sociedade industrial. Este movimento era denominado esteticismo ou dandismo.

Dandy (dândi, em português) era o homem de bom gosto e senso estético, sem necessariamente pertencer à nobreza. Era o cavalheiro perfeito, levava a vida de forma leviana, superficial, dá atenção especial à beleza dos detalhes. Atualmente, tomou tom pejorativo, se tornando homem que tem cuidado extremo com a aparência (talvez em um termo ainda mais moderno, seria o metrossexual).

Em 1895, Wilde foi condenado a dois anos de prisão por “cometer atos imorais com diversos rapazes”. O autor sempre defendia “o amor que não ousa dizer o nome”, sua definição de homossexualidade.

Oscar Wilde morreu de meningite, agravada pelo álcool e sífilis em 1900.

Teoria Queer

Já a teoria queer (queer theory, em inglês) é uma teoria da década de 1980 sobre gênero, que afirma que a orientação sexual e identidade sexual (ou de gênero) de um indivíduo são resultado de uma construção social. Isso significa que não existem papéis sexuais biologicamente inscritos na natureza humana. Ou seja, a gente é resultado do que nosso entorno social nos faz e, consequentemente, podemos desempenhar um ou vários papéis sexuais.

A teoria começou a se consolidar mesmo nos anos 90, com o livro Problemas de Gênero, de Judith Butler, após observar as chamadas “tecnologias de gênero”, de Teresa de Luretis, que abrangem as técnicas de ser homem ou mulher, nos anos 80.

Claro que isso não é uma definição amplamente aceita por 100% das correntes acadêmicas. Ela (assim como a sexualidade) flui por áreas como cultura, sociologia da sexualidade, antropologia, filosofia, artes e muito (muito mesmo) mais.

A teoria queer é mais profunda do que os estudos gays e lésbicos. Ela considera que esses estudos foram normalizados e não apontam para o constante movimento, para a mudança social. É complexo, mas nem tanto.

Basicamente, a teoria queer diz que não devem haver rótulos. Ninguém é uma coisa só. Até que não é complicado, né?

Por isso achamos que o nome era super válido para o nosso site. Apesar de ser um conteúdo inicialmente feito para os gays, a ideia é nos transformarmos em uma grande plataforma queer! Não é sobre ser várias coisas apenas, mas sobre ser diferente e principalmente de ter orgulho disso. Por isso quisemos nos apropriar desse termo, algo que antes era usado para difamar, agora é usado pra nos definir!

E aí? Deu pra entender um pouco sobre teoria queer ou ainda ficaram dúvidas? Falamos alguma besteira? Comente com a gente que nós prometemos abordar o tema mais vezes trazendo muito mais informação pra todo mundo! Porque mais informação significa mais tolerância, mais amor.

Aliás, você gosta de ler? Aqui tem uma seleção de livros sobre a Teoria Queer, se você quiser se aprofundar no assunto.