Conhecido como “O Paciente de Lisboa” em um estudo de caso prestes a ser publicado, a pessoa mais velha do mundo diagnosticada com HIV vai completar 100 anos de idade no início do ano que vem. Ele vive com HIV há pelo menos 25 anos.

O homem, chamado de “Miguel” no estudo para proteger seu anonimato, está saudável. Seus únicos sinais de saúde comprometida são algumas perdas de audição e visão. O que não é incomum para qualquer pessoa de 100 anos.

Miguel foi diagnosticado em 2004, aos 84 anos, após ir ao hospital, em Lisboa, Portugal. À época, ele sofria de colite (uma inflamação intestinal) e linfoma (um tipo de câncer nos linfócitos, responsáveis por proteger o corpo contra infecções e doenças), e tinha uma contagem de glóbulos brancos muito baixa.

Os médicos descobriram a causa: AIDS. Eles correram para agir.

Ele foi tratado inicialmente com quimioterapia, e depois seguiu com uma pesada combinação de drogas antirretrovirais para ajudar a combater sua infecção. Seu médico, Dr. Henrique Santos, não tinha certeza se Miguel conseguiria ser salvo.

“Quando o paciente chegou a mim em sua idade, eu tinha dúvidas se ele deveria ser tratado”, disse Santos ao CTV News. “Tudo correu bem, mas poderia ter dado errado. Poderia haver sinais de toxicidade. Ele poderia não ter resistido ao tratamento. Nós tínhamos que considerar esses cenários”.

Apesar de ter sido diagnosticado apenas aos 84 anos, o médico acredita fortemente que Miguel havia sido infectado há vários anos através de relação heterossexual.

Hoje, Miguel está muito mais forte, com uma carga viral indetectável e contagem de glóbulos brancos reabastecida.

“Eu ainda me sinto bem o suficiente para não me preocupar tanto com os outros”, disse Miguel. “Me sinto saudável o suficiente, também, para cuidar de toda a minha rotina, me vestir, colocar meus sapatos, ir para a cama. Faço tudo isso em casa, morando sozinho”.

De acordo com a Junta do Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAID), cerca de 36,9 milhões de pessoas viviam com HIV em 2017, com 1,8 milhões de novos casos acontecendo naquele ano. Infecções entre crianças estão diminuindo, mas 45% de novos casos estão em pessoas acima de 40 anos.

Histórias como as de Miguel dão esperança às pessoas vivendo com HIV e também mostram a importância de receber tratamento apropriado. Os médicos de Miguel disseram que a chave para sua saúde tem sido sua própria esperança no tratamento que faz, assim como nos hábitos saudáveis que ele pratica.

Miguel, porém, diz que sua longevidade é graças a razões mais simples.

“O motivo para eu ter chegado a uma idade tão avançada é todo dia quando vou para cama, tomar uma xícara de chá de limão”, ele disse. “Uma boa fatia de limão, com a casca, polpa e tudo. Você ferve por cinco minutos e, no final, acrescenta uma boa colher de chá de mel”.