Desde que foi lançado na Netflix em junho deste ano, eu penso em escrever sobre esse stand-up. E já que no fim de ano a gente reúne a família, por que não juntar todo mundo para assistir em família?

A comediante australiana Hannah Gadsby – famosa por seu papel em Please Like Me – dá uma aula transitando entre comédia e militância sobre assuntos mais que necessários e, mesmo que você não curta stand-up de uma maneira geral, vai perceber que foi o melhor investimento do seu tempo nos últimos tempos.

Hannah conta sobre sua história, alfinetando a sociedade, falando sobre sobrevivência lésbica em uma cidade pequena e compartilha experiências tocantes.

“Não há nada mais forte que uma mulher destruída que se reconstruiu”

Hannah, que tem anos de experiência com comédia, começa o que posso afirmar que é o seu melhor especial de comédia – mesmo sem ter assistido aos outros – dizendo que precisa deixar de fazer comédia.

Isso porque a comédia geralmente vem de autodepreciação e que a dor de sua história desperta raiva. E depois de tantos anos fazendo piada com sua dor, ela quer se dar o direito de sentir raiva por tudo que passou.

“[O humor autodepreciativo] não é humildade, é humilhação”

O especial desafia a gente a pensar no comediante não só como artista, mas como uma pessoa capaz de sentir dor. E é um soco no estômago quando Hannah decide que, em vez de aliviar a tensão com uma piada, ela deixa essa tensão com os espectadores.

“O que eu teria feito para ter escutado uma história como a minha”

Nanette ganhou os importantes prêmios do Festival Internacional de Comédia de Melbourne e o Edinburgh Fringe.

Se até hoje, seis meses depois do lançamento, você ainda não assistiu a Hannah Gadsby: Nanette, pare tudo o que estiver fazendo e vá assistir agora! Você não vai se arrepender.