Uma coisa com a qual eu sempre tive dificuldade de lidar e entender é a tal da expectativa.

Porque a criamos? Porque a alimentamos dentro de nós e nos outros? A “expectativa” é praticamente a segunda palavra mais citada em imagens compartilhadas pelas redes sociais, que têm a pretensão (ou a expectativa) de fazer as pessoas refletirem sobre qualquer assunto o qual ninguém tem, de fato, tempo para refletir.

“Expectativa, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008: Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas.”

Vejam bem: supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas. Supostos. Obviamente supostos, já que só se tem expectativa por algo que ainda não aconteceu, ou seja, pelo futuro.

Dizem que o passado pertence ao diabo e o futuro pertence a Deus, então por que uma pessoa em sua perfeita sanidade tem esperança pelo futuro? Sabemos que ele vem, mas não fazemos a mínima ideia de como e em quais circunstâncias ele vem. Então porque esperamos e nos preocupamos com o “amanhã”, ao invés de darmos conta do presente, e fazer do futuro o que precisar ser feito quando, aí sim, ele se tornar o “hoje”?

Não estou defendendo o estilo de vida despreocupado e irresponsável que não leva em consideração as consequências futuras das nossas ações. Estou falando da expectativa de algo sobre o qual não temos controle. Trabalho, amor, dinheiro, amizades… as pessoas tem expectativas até sobre o clima! “Tenho fé de que não vai chover no dia do meu aniversário”. Choveu. Se frustrou.

Se não houvesse a expectativa, não haveria a frustração, mas se não houvesse a frustração, a expectativa seria apenas uma previsão certeira, uma fé que funcionou, o plano que correu como planejado. A expectativa não existe sem a frustração, e vice-versa. Até as expectativas mais realistas promovem algum nível de frustração, porque quando se está seguro de que o que se deseja acontecerá de fato, a expectativa entra de fininho e adiciona algum elemento, algum detalhe ou sensação “a mais” que talvez possa vir a ocorrer. Alguns chamam de otimismo, outros de fé… no fim das contas, é tudo expectativa. Nós vivemos dela, nos alimentamos dela. Sem ela, dizem por aí, nem levantamos da cama de manhã para correr atrás dos objetivos. Objetivos = expectativa.

Opa, pera aí. A expectativa e a frustração vivem juntas. Uma simplesmente não ocorre sem a outra, e as duas vem, praticamente sem exceção, juntas. Mas nós não sabemos viver sem a expectativa… então temos que aprender a lidar com a frustração? Quem aí nunca se frustra? Todos temos expectativas (já concordamos sobre isso), logo, todos também temos frustrações. Isso quer dizer, talvez, que nenhum de nós aprendeu, até hoje, a lidar com o assunto.

Dizem que o segredo da felicidade é fugir da frustração. Logo, fugir das expectativas. Mas não levantamos da cama sem a expectativa. Nem sem a frustração. Mas a frustração atrapalha a felicidade. Mas sem ela não somos felizes. Que confusão!

Eu realmente adoraria, um dia, estar em paz com esse assunto. Mas essa é apenas a minha expectativa…