Tudo começou quando o espaço Santander Cultural em Porto Alegre divulgou uma mostra que celebraria a diversidade, de 15 de agosto até 8 de outubro. A polêmica envolvendo a exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira” só aconteceu este último final de semana, quando alguns espectadores, resolveram gravar vídeos externando sua indignação com o conteúdo das obras. Note que são pessoas que dedicaram um tempo a sair de casa em um final de semana e se dirigirem até um espaço cultural que já sabiam que estaria exibindo uma mostra de conteúdo queer. Inclusive, o espaço também exibia o Queer Cinema, mostra de filmes da mesma temática.

A mostra

A exposição “Queermuseu” já nasceu com a premissa de ser uma mostra na qual a expressão de gênero e diferença são exercidas em sua plena liberdade. A importante mensagem também era de que não haveria espaço para a homofobia. Não haveria. As 264 obras, de 85 artistas – incluindo Volpi e Portinari -, conversavam entre si apenas pela temática queer, sem cronologia, sem necessariamente outras relações entre si.

A premissa da exposição curada por Gaudêncio Fidelis era abrir espaço para um horizonte de formas fora da norma, justamente como é a ideia do queer.

“Uma exposição queer, que busca não ditar ou prescrever regras, discute questões relativas à formação do cânone artístico e a constituição da diferença na arte. Para esta plataforma curatorial levei em conta aspectos artísticos, culturais e históricos de cada trabalho”, afirma Fidelis.

“A diversidade é um valor para o nosso negócio. Acreditamos que o capital humano é o que torna uma organização diversa, com maior probabilidade de inovação e maior chance de se diferenciar no mercado”, disse Marcos Madureira, vice-presidente de Sustentabilidade do Santander, quando a exposição foi lançada.

O resultado

Diante da discussão, repercussão e polêmica, o Santander preferiu fechar as portas da exposição, principalmente com a pressão de grupos como o Movimento Brasil Livre. Curiosamente, um movimento pela liberdade foi o que mais fez pressão para censurar a mostra.

“Entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, diz a nota divulgada pelo banco na tarde de ontem. Ué…

O MBL alega que algumas obras fazem apologia a zoofilia e pedofilia. O prefeito da cidade de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., do PSDB, (apoiado pelo MBL), também repudiou a mostra (este mesmo senhor conseguiu uma liminar na Justiça para que os protestos contra seu governo fossem proibidos). Então tá, né?

Os organizadores e simpatizantes da exposição já planejam um protesto em apoio à “defesa da cultura e democracia”, na terça-feira às 16h, na frente do espaço Santander Cultural.

Com informações do Zero Hora, iG, Veja e Jornal do Comércio.