A gente passa uma vida toda procurando pelo amor. Mesmo quem não admite, pensa em ter alguém para amar por toda a vida. Alguns são desencanados, mas já sofreram com essa ideia em algum ponto da vida.

O problema é que, quando acontece, a nossa tendência – contaminada por essa sociedade atual – é de racionalizar a situação. A gente tenta encontrar razões para amar. Razões para ficar (ou não) com esse alguém. Muitas vezes, deixa de se entregar, por medo.

Só que a cabeça não tem absolutamente nada a ver com os sentimentos. Logo, não é a cabeça que tem que decidir se você ama ou não. Porque o sentimento não tem como ser racionalizado. Isso não existe.

Mas aí eu volto à pergunta do título desse post:

E o que o coração tem a ver com o amor?

Meu caro amigo, eu te respondo: absolutamente nada! A literatura, a TV, o cinema tentam romantizar o amor. O negócio é que, de conto de fadas, o amor não tem nada.

Os sentimentos não são racionais. Eles não acontecem no coração, como a gente gosta de acreditar. Eles são viscerais.

O medo e a angústia, por exemplo, são desconfortos agudos, quase como dores, na altura do diafragma. E o amor? Ah! O amor. Eu descrevo o amor como essa mesma dor aguda, que aponta o medo de que essa situação acabe. Sabe aquele momento bom que te deixa feliz, mas tão feliz que você quase fica triste, sabendo que nada vai ser tão bom de novo? Pois é.

Eu acho que o amor é meio que isso. Eu vi essa definição outro dia numa série que eu amo. Também gosto de uma definição que um crush uma vez me disse:

“Não dê nome. Descreva como a sensação de ter um balão enchendo o peito.” Ele vai saber que é ele se ler. Mas provavelmente não lerá.

E não se engane. Esse sentimento é físico! É instintivo. É uma manifestação do corpo. Só que, assim como não ignoramos a fome ou a sede, não deveríamos optar por ignorar nossos sentimentos às vezes. Essa certeza visceral de que estamos amando.

Por que vivemos nesse tipo de sociedade? Em que ignorar o que sentimos é melhor visto do que sentirmos por inteiro? Isso é algo que eu nunca vou entender.

Se você quer minha opinião, a gente ainda tem muito o que aprender sobre as áreas que acionamos ao escolher como agir. A razão não deve nunca ser uma opção para lidarmos com assuntos que são instintivos.

Na minha opinião, a gente tinha que se permitir mais. Amar mais.