Esses dias eu conversava com uma amiga sobre as características da nossa geração. Tenho 29 e ela 30-e-poucos anos, o que nos coloca próximos à chamada geração Y, “famosa” pela grande afinidade com a tecnologia e a pouca afinidade com a mesmice.

Luiz Arruda, consultor sênior da WGSN Mindset, descreve a nossa geração da seguinte maneira:

“Hoje, os Y têm entre cerca de 25 e 39 anos. Essa geração teve uma convivência já muito cedo com a tecnologia avançada. Por isso, são tidos como sempre conectados, multitarefas, vidrados em mídias sociais, empreendedores e donos das ferramentas para produzir e espalhar suas criações. (…) A Geração Y é a primeira verdadeiramente global, e seus jovens possuem um desejo constante pela busca de novas experiências e são ávidos por mudança, movimento, liberdade e inovação”

Assim como a tecnologia, nós evoluímos de uma fase para outra, de um foco ao outro, às vezes tão rápido que o foco se perde. Problemas de concentração e ansiedade são nossos velhos conhecidos. Se identificou?

Uma vez publiquei aqui um texto falando sobre a mudança e como podemos ficar dependentes dela (pode ser uma boa dependência, quem sabe). Mudar e evoluir é bom, mas é um momento extremamente complicado quando percebemos que aquele trabalho, aquela carreira, aquela pessoa, aquele lugar ou aquela vida simplesmente não são para nós. Aos 15, aos 20 e aos 25 nós pudemos nos dar o luxo de largar quase tudo e recomeçar. Mas agora, chegando perto dos 30, dos 40… como fica isso?

Não quero dizer que somos velhos demais para recomeçar (por favor, né?), ou que precisamos levar a vida de acordo com as expectativas do senso comum. A caminhada de cada um de nós é individual e diferente, e a vida acontece sem um script. Mas convenhamos que bate uma ansiedade. Bate aquela ideia de que talvez já pudéssemos estar longe de onde estamos, se tivéssemos focado mais, desistido menos, ou se não tivéssemos mudado de ideia tantas vezes. Me pego pensando sobre como a nossa geração entrará nessa nova fase onde o futuro é mais frágil e nossas ações têm consequências mais concretas. Costumamos ser imprevisíveis, mas confesso que fico curioso para ver o que vai acontecer.

E se o nosso destino for essa eterna mudança? O pulo de um ponto ao outro, mantendo a vida fresca e excitante, mas sem necessariamente criar raízes profundas em qualquer situação? Será que seria suficiente (financeiramente e emocionalmente)? Ou será que agora finalmente nos encontramos e estamos em um caminho concreto? Essa dúvida sempre permeia meus pensamentos, e eu sei que os seus também.

A boa notícia é que, essa coisa de crescermos com a tecnologia nos tornou pessoas mais comunicativas (por mais que não tenhamos percebido). A internet nos proporcionou, pela primeira vez, uma plataforma para interagirmos de forma generalizada, expormos nossas opiniões e discordamos uns dos outros. Aprendemos cedo a nos comunicar, e agora você, por exemplo, sabe que eu me sinto assim, e que estamos no mesmo barco. Não temos a resposta sobre como iremos nos comportar com a chegada das novas fases e não podemos prever o futuro, mas podemos conversar a respeito, nos ajudarmos na caminhada, nos apoiarmos uns nos outros até alcançarmos mais etapas e mais maturidade. Exponha seus pensamentos, converse com seus amigos, deixe-os saberem que você se sente assim.

“Ah, mas cada um tem seus problemas, não vou incomodar as pessoas com os meus”: você com certeza já ouviu isso de alguém. Eu discordo plenamente. Compartilhar nossos anseios (com as pessoas certas) não nos torna chatos ou reclamões. Apenas demonstra que todos os anos de evolução da espécie humana serviram ao menos para que soubéssemos dialogar e crescer. Isso se chama honestidade e empatia.

Vamos compartilhar? Comente aqui ou nas nossas redes sociais (nosso Insta ou nosso Face), ou na sua própria timeline, o que você acha sobre esse assunto. Dialogue, utilize a tecnologia que criamos e sua facilidade em se comunicar em seu próprio benefício. Quem sabe, apesar de longes fisicamente, podemos nos aproximar em vivências e palavras? Quem sabe podemos nos ajudar?