Ativistas LGBT estão se preparando para batalhas duras nos próximos anos, agora que os Republicanos detém controle do Congresso e Donald Trump se torna Presidente.

Quando Trump tomar posse em Janeiro, o partido dos Republicanos terá controle total, tanto do poder executivo quanto do legislativo, pela primeira vez desde 2005.

Isso significa basicamente pequenas chances dos Democratas (partido de Obama e Clinton) inviabilizarem ataques aos direitos LGBT. Obama anteriormente usou o poder executivo para defender a igualdade, coisa que Trump já se comprometeu a não fazer.

A Plataforma Republicana passou no início desse ano contendo algumas das providências mais anti-LGBT em décadas, atacando adoção por casais do mesmo sexo, se opondo ao banimento da cura gay, enquanto ainda houve conservadores afirmando proibição de liberdade religiosa nas lais antidiscriminatórias.

O Presidente eleito não lançou nenhuma política sobre direitos LGBT e também não tem nenhum plano sobre HIV/AIDS.

Seu vice Mike Pence confirmou um plano para desestruturar as proteções a pessoas LGBT de Barack Obama, como parte de uma revisão “imediata” das ordens executivas emitidas pelo Presidente Obama.

Além disso, Trump também se comprometeu a assinar a Primeira Emenda – de autoria Republicana -, uma lei que permitiria formas de discriminação contra pessoas LGBT baseadas em religião.

Em um discurso a grupos católicos, o Presidente eleito confirmou que não vetaria a lei, que exime o governo de “tomar ação contra uma pessoa baseada em que ela acredita ou age, de acordo com uma crença religiosa ou convicção moral de que casamento é ou deveria ser reconhecida como união entre um homem e uma mulher”.

A lei legalizaria em parte a discriminação contra pessoas LGBT em todos campos, como empregado, como cliente, no âmbito da saúde, excluindo a interferência do governo.

Em um assunto mais amplamente discutido no país, Mike Pence confirmou a intenção de Trump de permitir que o “problema do banheiro para pessoas trans seja resolvido com base no senso comum a nível local”.

Além disso, a vitória Republicana confirma que a lei Democrata de Direitos Civis de 1964, que proíbe terminantemente a discriminação baseada em identidade de gênero ou orientação sexual a nível federal, está definitivamente morta.

E ainda piora: o plano de Trump para a Suprema Corte também levanta questões sobre o impacto nos direitos LGBT.

Como Presidente, ele será responsável por preencher 2 ou 3 assentos na máxima corte americana, onde a maior parte dos direitos LGBT têm sido decididos com uma maioridade apertada de 5×4.

Durante os debates, Trump confirmou que nomearia juízes no molde do falecido Antonin Scalia, que se opunha à descriminalização da sodomia e era marcado por uma forte divergência sobre o casamento igualitário. Uma lista prévia levada a público dos candidatos de Trump continha apenas conservadores anti-LGBT.

Se uma maioridade anti-LGBT se solidificar na Suprema Corte, um precedente prejudicial sobre os direitos LGBT pode se estabelecer por décadas, e não por apenas 4 anos.

Muitos assuntos podem ser vetados pela corte, de direitos trans a proteções antidiscriminação. Trump já confirmou seu apoio por lei anti-trans locais, apesar de não ter uma política nacional declarada.

Chad Griffin, da Campanha de Direitos Humanos se comprometeu a bater de frente, em comunicado:

“Ao longo da história da nossa nação, enfrentamos reveses devastadores na busca de uma união mais perfeita. Mas, mesmo nos momentos mais difíceis, os americanos têm coragem e persistência para lutar. Os resultados da eleição presidencial de hoje exigem que nos encontremos amanhã com a mesma determinação e propósito”, ele diz.

“Esse é um momento crucial para nosso país e para o movimento LGBTQ. A eleição de um homem que se opõe aos nossos valores mais fundamentais nos deixou atordoados. Haverá tempo para analisar os resultados esta eleição, mas não podemos nos permitir abater. Devemos enfrentar esses desafios de frente”.

“Nos últimos 18 meses, Donald Trump e Mike Pence intencionalmente semearam o medo e divisão para fins políticos cínicos. Eles agora enfrentam uma decisão sobre governar dessa forma. Esperamos que, por causa de nossa nação e nossa comunidade diversificada – que inclui mulheres, pessoas de cor, pessoas com deficiência, imigrantes e pessoas com todas as fés e tradições -, eles escolherão um caminho diferente”.

“Nós continuaremos a luta pela igualdade e justiça para todos com mais urgência e determinação do que nunca. É nosso dever. Vidas literalmente dependem disso”.

“Apesar do resultado desta corrida presidencial, sabemos que a maré se transformou irreversivelmente a favor da igualdade LGBTQ. Hoje, nos fortalecemos da grande maioria dos americanos que acreditam que nossas vidas e direitos são algo pelo que vale a pena lutar.”

“As derrotas que sofremos esta noite demonstram que nossas futuras vitórias exigirão que cavemos mais e trabalhemos mais para continuar a dobrar o arco moral do universo em direção à justiça e igualdade. Devemos lutar para proteger nosso progresso e limitar os danos que Donald Trump prometeu.”

“Para cada pessoa LGBTQ que se sentir atordoada ou desanimada, e questionando se eles têm lugar no nosso país hoje, eu digo isso: você tem. Nunca deixe ninguém te dizer o contrário. Seja corajoso, forte e continue a defender os princípios que sempre fizeram a América grande.”

“Em um momento como esse, não desaceleramos. Nós aceleramos o dobro. Amanhã continuaremos a funcionar, sem nos determos, focados em nossa missão de fazer um mundo no qual cada pessoa LGBTQ esteja segura, igual e valorizada”.

O Presidente eleito Donald Trump tomará posse em janeiro.