Que a camisinha é a melhor forma de prevenção contra o HIV, todo mundo já está mais do que careca de saber. Então, hoje, Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, nada mais importante do que nos conscientizarmos sobre os mitos e as verdades que rondam essa condição ainda tão cercada de tabus.

HIV e AIDS são a mesma coisa?

Você já se perguntou qual a diferença entre HIV e AIDS? Se perguntou se os dois são a mesma coisa? Pois bem. Esse é o primeiro mito da nossa lista. Vamos aos significados das siglas: HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana em inglês; AIDS (ou SIDA) significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

HIV é o vírus. AIDS é a doença que esse vírus pode causar. Todo mundo que tem AIDS é portador do HIV. Nem todo portador do HIV tem AIDS.

O vírus HIV ataca o sistema de defesa do organismo, o deixando desprotegido. Isso significa que, sem tratamento, o corpo fica fraco e sujeito a doenças oportunistas. A AIDS é a condição do corpo quando o sistema imunológico está muito deficiente.

Ou seja, não se morre de AIDS. A pessoa pode morrer em decorrência de alguma complicação de alguma doença oportunista.

O tratamento de HIV é difícil e causa muitos efeitos adversos?

Mito. Hoje em dia, os efeitos adversos do tratamento do vírus HIV são muito poucos, e a eficácia é altíssima. O que pode causar essa impressão é que, no passado, como as substâncias eram mais limitadas, os efeitos eram intensos. Hoje em dia, geralmente o tratamento tradicional envolve apenas um comprimido por dia, e poucas pessoas precisam trocar de medicamento.

Portadores do HIV, mesmo em tratamento, vivem menos do que pessoas não infectadas?

Mito.  Segundo Gustavo Pinto, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, em entrevista ao Estadão, afirma que quanto mais cedo se descobre a presença do HIV, maiores são as chances do portador viver normalmente. A expectativa de vida das pessoas com HIV que fazem tratamento corretamente e com sucesso terapêutico é igual ao da população geral que não tem HIV.

Pinto aponta, inclusive, estudos na Inglaterra que mostraram que mulheres com HIV em tratamento têm expectativa de vida até superior que às sem HIV, devido ao fato de que o portador do HIV geralmente muda a rotina, levando uma vida mais saudável e, portanto, vivendo mais.

Dois portadores do HIV não precisam usar camisinha?

Mito. Quem tem o vírus HIV precisa usar camisinha, mesmo se o parceiro também for portador. Isso porque existem dois subtipos de HIV: o HIV 1 e o HIV 2. Se o portador de HIV 1 for contaminado pelo HIV 2, e vice-versa, o portador terá os dois tipos de vírus, dificultando a adequação do tratamento.

Todo portador do HIV transmite sexualmente o vírus?

Mito. Quando o portador do HIV chega ao status de indetectável, as chances de transmissão sexual do HIV são quase nulas. Esse status ocorre quando a carga viral do paciente chega a próxima de zero. É importante reforçar que a transmissão sanguínea ainda pode acontecer neste estágio.

Beijo transmite HIV?

Mito. O vírus só é transmitido através do contato sexual e do sangue. O vírus também não é transmitido por compartilhamentos de objetos não-perfurantes, como talheres, banheiro e toalhas.

Sexo oral transmite HIV?

Verdade. Quem recebe o sexo oral não corre esse risco, mas quem faz pode ser contaminado em qualquer fase do sexo: tanto no início, apenas com o líquido lubrificante do homem, quanto com a ejaculação.

As chances de se contrair HIV pelo sexo oral são baixas, mas os infectologistas recomendam o uso da camisinha durante o sexo oral. Quanto maior a carga viral no sangue, maior a carga nos fluidos durante a relação. Sexo oral também é sexo, então merece proteção.

Apesar disso, nem o uso de aparelho fixo, nem escovar os dentes, nem usar fio dental aumentam o risco de transmissão do HIV via sexo oral.

A camisinha é a única forma de prevenir a contaminação?

Mito. Hoje em dia, também já estão disponíveis a PrEP e a PEP. Porém, é importante salientar que esses tratamentos previnem apenas contra o HIV, e não outras ISTs como a sífilis e gonorreia.

PrEP e PEP são a mesma coisa?

Mito.

PrEP

A PrEP é a Profilaxia Pré-Exposição, ou seja, pessoas que não portam o HIV podem evitar serem contaminadas. É um medicamento que evita que o vírus HIV se instale no sistema sanguíneo. Isso significa que ele não torna a pessoa imune ao vírus. Para começar a profilaxia, no Brasil, a pessoa deve provar que não tem HIV e, depois de começada a PrEP, é preciso fazer exames mensais de acompanhamento.

A PrEP é prioritária segundo o Ministério da Saúde para homossexuais, transexuais, profissionais do sexo e parceiros sorodiscordanes (quando um é portador do HIV e o outro não).

PEP

Já a PEP é a Profilaxia Pós-Exposição, ou seja, uma série de medicamentos para serem tomados depois de uma situação de risco, para evitar que o HIV se instale no organismo. E um comprimido por dia durante 28 dias. Para a eficácia ser garantida, o prazo máximo para começar a tomar a PEP é de 72 horas após a exposição.

Ela é recomendada especialmente em casos de violência sexual, profissionais da saúde que se acidentaram, profissionais do sexo, e pessoas que se relacionam com parceiros soropositivos.

É mais seguro transar com um portador do HIV indetectável em tratamento do que com quem não sabe sua sorologia?

Verdade. Portadores do HIV em tratamento, com sucesso terapêutico e carga viral indetectável não transmitem sexualmente o vírus. Já quem não sabe sua sorologia pode estar infectado e não saber. Nestes casos, a carga viral do indivíduo pode estar alta, aumentando significativamente o risco de transmissão.

Os estudos HPTN052, Partner e Opposites Attract acompanharam milhares de casais sorodiscordantes por até 10 anos e quase 50 mil relações sexuais e concluíram que não houve nem ao menos um único caso de transmissão do HIV por via sexual sem preservativo a partir de um indivíduo que se mantinha em tratamento antirretroviral com o vírus indetectável.

Ou seja, indetectável é igual a intransmissível!

Lembrando sempre que, apesar de não transmitir, o portador de HIV indetectável, continua sujeito a ser contaminado com um outro tipo do vírus HIV, bem como outras ISTs, portanto usar camisinha continua sendo importante!

O portador é obrigado a contar que tem HIV para o parceiro sexual?

Mito. Ele tem, sim, a obrigação de tomar as medidas necessárias para evitar transmitir HIV para os outros, mas não é obrigado a contar que tem. Como ainda vivemos em um mundo muito preconceituoso, o assunto ainda envolve muitos tabus. A soropositividade é uma intimidade do portador e, como toda intimidade, só deve ser partilhada com pessoas de confiança. Nem todo mundo recebe a notícia da soropositividade do parceiro com tranquilidade.

Brinquedos sexuais transmitem HIV?

Verdade. Sempre que for compartilhar um brinquedo sexual, é importante também usar camisinha no brinquedo.

Mulheres com HIV podem engravidar?

Verdade. Hoje em dia, no Brasil, existem unidades específicas de atendimento à gestante soropositiva; e o pré-natal envolve o acompanhamento com um infectologista, bem como o ginecologista. O acompanhamento é feito até os 18 meses seguintes do nascimento da criança, com todo o cuidado para garantir que o vírus HIV não seja transmitido para o bebê. Mulheres que vivem com HIV não podem fazer o aleitamento.