Antes de qualquer coisa, se você está lidando com sentimentos de depressão e pensamentos suicidas, considere entrar em contato. Você pode ligar para o Centro de Valorização da Vida, de graça, pelo telefone 188. Não deixe de buscar ajuda.

Para muitos na comunidade LGBTQ, lidar com sentimentos suicidas é uma ocorrência muito comum e que deve ser tratado.

Agora, um estudo publicado no American Journal of Preventative Medicine está analisando mais de perto as pessoas LGBTQ que morreram por suicídio e revela algumas diferenças surpreendentes entre a nossa comunidade e as pessoas heterossexuais.

Entre as descobertas estava esse fato: os jovens LGBTQ têm cinco vezes mais chances de tentar suicídio do que os heterossexuais.

Além disso, descobriu-se que homens gays e mulheres lésbicas eram mais propensos a serem diagnosticados com um problema de saúde mental, e eram mais propensos a ter um histórico de pensamentos ou planos suicidas antes de suas mortes.

O estudo analisou as causas mais comuns de morte entre aqueles que tiraram suas próprias vidas, descobrindo que nossa comunidade e pessoas heterossexuais optam por métodos diferentes. 

Homens heterossexuais, por exemplo, eram mais propensos a usar uma arma de fogo para acabar com suas vidas, enquanto homens gays optavam por enforcamento ou estrangulamento.

As mulheres heterossexuais optaram pelo veneno, enquanto as lésbicas escolheram enforcamento, asfixia ou arma de fogo.

As pessoas bissexuais e trans também eram propensas a se enforcar, estrangular ou sufocar de outros métodos.

Nos Estados Unidos, as armas de fogo abrem caminho para a maioria dos suicídios. Não podemos permitir que isso aconteça também no Brasil.

Antes da morte, as pessoas LGBTQ eram mais propensas a relatar sentimentos de depressão ou relatar problemas em torno de seu parceiro, como discussões. 

Os pesquisadores alertam, porém, para o uso de seus dados para criar uma solução “tamanho único”.

“Embora este estudo forneça novas informações sobre suicídios entre falecidos gays e lésbicas, é importante lembrar a diversidade que existe entre e dentro de grupos minoritários sexuais e de gênero ao planejar e implementar atividades de prevenção”, diz o relatório.

“Os programas de prevenção ao suicídio desenvolvidos ou adaptados para indivíduos LGBTQ podem considerar os fatores de risco mais salientes para a população-alvo e como esses fatores podem diferir dos indivíduos não-LGBTQ.”

O estudo analisou mais de 120.000 suicídios de pessoas com 15 anos ou mais, usando dados do National Violent Death Reporting System de 2003 a 2014. Desse total, 621 foram identificados como LGBTQ.  Os dados cobriram 18 estados.

“Para o conhecimento dos autores, este é o primeiro estudo usando dados de um grande sistema de vigilância multiestado para examinar suicídios entre falecidos gays e lésbicas durante toda a vida útil”, relatou o estudo.

Se você está lidando com sentimentos de depressão e pensamentos suicidas, considere entrar em contato. O Centro de Valorização da Vida tem uma equipe preparada para te ajudar a passar por qualquer momento que pareça irremediável. Se precisar de ajuda, ligue 188.