Hollywood já tem negligenciado Billy Porter por algum tempo. Mas graças a Pose, o resto do mundo está aprendendo o que alguns já sabem há muito tempo: Billy Porter é vida.

Porter foi sincero sobre sua jornada e a narcolepsia de Hollywood quando se trata dele e de outros atores abertamente gays, no último Drama Actors Roundtable do The Hollywood Reporter.

O programa é uma mesa redonda entre atores, que comentam sobre a indústria e diversos outros assuntos.

“Ser negro e gay e fora do armário veio acompanhado de muito desemprego”, diz Porter. “É uma camada dupla, a camada de ser uma pessoa de cor nessa indústria e a camada de ser viado. Ninguém pode ver você como qualquer outra coisa.”

Sam Rockwell, Hugh Grant, Richard Madden, Stephan James, Diego Luna e Billy Porter. Foto: Austin Hargrave

Porter continua: “Se ‘afeminado’ não estivesse na descrição do personagem, ninguém me deixaria nem fazer uma audição, nunca, por nada, o que não seria tão enfurecedor se valesse para os dois lados, mas não. Já que os homens heterossexuais que interpretam gays, todos querem dar-lhes um prêmio: ‘Obrigado por nos agraciar com sua presença heterossexual.’ Isso se torna cansativo. “

Foto: Austin Hargrave

No programa, Porter é acompanhado na mesa redonda por Sam Rockwell, de Fosse/Verdon, Stephan James, de Se a Rua Beale Falasse, Diego Luna, de Narcos: México, Richard Madden de Rocketman, e Hugh Grant, de A Very English Scandal, a maioria dos quais já aclamada por interpretar gays.

Depois de dividir as telas com Gael García Bernal no filme de 2001 de Alfonso Cuarón, E Sua Mãe Também, Luna estrelou como drag queen em Berlim, Eu Te Amo, deste ano. Enquanto isso, os astros de e Rocketman, Madden e Taron Egerton, foi recentemente aplaudido por transar nas telas, a primeira representação do sexo masculino gay em filme de um grande estúdio.

Então, é claro, tem o Hugh Grant, com um histórico longo e singularmente britânico de papéis gays, desde o clássico Maurice, de 1987 até As Aventuras de Paddington 2 passando por seu último, A Very English Scandal, no qual ele retrata um político no armário.

“Então, aqui eu estou, não pego papéis gays, não posso pegar papéis héteros”, diz Porter, enquanto seus colegas heterossexuais notam um visível shade na sala.

Porter comenta que o “teatro foi um pouco mais gentil” – ele levou um Prêmio Tony em 2013 por Kinky Boots – mas ele estava no fim de sua carreira quando chegou a Hollywood.

“E eu estava fazendo outras coisas”, lembra Porter. “Estava dirigindo o Topdog/Underdog no Teatro Huntington. Então eu estou escrevendo, estou dirigindo, e eu finalmente pensei ‘eu não sou mais obrigado’. Eu não posso continuar me colocando nessa posição de estar sempre implorando [por papéis]. No dia seguinte, o telefone tocou! ‘Ryan Murphy quer te ver para uma série chamada Pose‘.”

Para Porter, a espera para ser reconhecido foi longa, mas valeu a pena, porque agora ele está sendo reconhecido em seus próprios termos.

“Fui rotulado muito cedo o palhaço afeminado, e lutei por décadas”, diz o ator. “Mas finalmente estou neste momento da minha vida em que posso interpretar esse personagem como um ser humano totalmente desenvolvido e não apenas a versão bidimensional que é escrita para entreter. E ter vivido o suficiente para ver isso acontecer nos meus termos é fabuloso”.

Confira Billy Porter jogando a merda no ventilador (em inglês, sem legendas), e com uma belíssima capa, porque sim!