No início de 2016, eu estava em uma festa, cercado de grupos de amigos, todos eles conversando e rindo. Enquanto eu ia de grupo em grupo, ficou claro que cada conversa era sobre alguém na festa, ou alguém que não tinha chegado ainda – fofocando que o casal usava drogas, especulando que o novo corpo sarado devia ser resultado de alguma substância, ou revirando os olhos sobre a promoção do outro.

Me senti incomodado a noite toda, desconfortável e triste perto de pessoas que achei que eram minhas amigas.

Quando alguém foi embora mais cedo e se ofereceu para dividir um Uber até em casa, eu aceitei na hora. “Você sabe que agora eles estão falando da gente”, disse meu companheiro de viagem quando fechou a porta, e nesse momento eu soube de duas coisas. Ele estava certo e eu precisava mudar alguma coisa.

Toda celebridade já lamentou a obsessão dos jornais em construir carreiras e depois destruí-las, e nós somos conhecidos por desacreditar ou difamar pessoas públicas que alcançaram o sucesso. Mas como gays, somos culpados de levar isso adiante?

Os fãs gays das divas pop têm até um lado bem sombrio, mas aqui, vamos focar a atenção ao nosso círculo de amizades.

Para aqueles nas redes sociais, quantas vezes você já esbarrou em uma discussão em que um grupo de amigos está agindo como bichas más e fofocando ou difamando publicamente outras pessoas?

Em seu podcast, Call Your Girlfriend, a brilhante Ann Friedman citou a Teoria do Brilho, e eu sabia que precisava disso na minha vida. A Teoria do Brilho destaca a importância de mulheres apoiarem mulheres, recusando competir umas com as outras e, em vez disso, celebrar o sucesso dos amigos.

Resumindo, se seus amigos não brilham, você não brilha, e quanto mais forte eles brilharem, mais o brilho se refletirá sobre você.

Mais tarde naquele ano, meu time de rugby jogou um torneio internacional para times gays e inclusivos ao redor do mundo. E mesmo que tenhamos perdido as partidas a princípio, a camaradagem e as celebrações pós-partidas dos esforços de cada um me fizeram sentir melhor, e com sorte de estar cercado por um grupo de homens gays fortes e apoiadores. Nós estávamos brilhando tanto em nosso apoio um pelo outro que não importava se tínhamos perdido a partida, porque perdemos juntos. Nosso conhecimento nos aproximou, e eventualmente viramos o jogo e ganhamos.

Na minha adolescência, eu admito que era um mar de inseguranças. Quando encontrava com pessoas mais bem-sucedidas, mais bonitas, ou mais inteligentes que eu, minha defesa era de não gostar deles, por qualquer que seja a razão, diminuindo o sucesso deles e a forma que me sentia. Na verdade, sua única culpa era que eu percebia seu sucesso através de uma lupa, destacando tudo o aquilo sobre o que eu estava infeliz em mim mesmo.

Precisei reconhecer minhas forças e fraquezas, começar a me sentir confortável em minha própria pele, e admitir a razão pelo meu comportamento e mudá-lo.

Agora, tenho orgulho de ser um torcedor pelos meus amigos e apoiá-los em todo o seu sucesso, seja grande ou pequenos, porque eu sei que isso não vem às minhas custas. Sim, posso não ter alcançado meu objetivo em particular, ou posso ficar meio puto por não ter pensado na ideia genial do meu amigo primeiro, mas agora que ele já pensou, talvez eu possa aprender com ele.

É um mundo muito difícil, principalmente sendo parte de uma minoria, eu acho que todos podemos nos beneficiar da Teoria do Brilho e da ideia de equipe.

Porque senão, nossos conflitos internos por conta dessa vida de incertezas e insucessos só aumentam. E a gente começa a se questionar cada vez mais.

Não importa se é você quem chutou para o gol ou não, porque o time inteiro ainda ganha o ponto, e é assim que o time vence.

Então faça-se um favor: diga adeus às bichas más que não te apoiam. Torne-se o maior torcedor de seus amigos, porque quando eles brilham, se você permitir, os brilhos deles brilharão sobre você. Vai destacar seu brilho e manter as trevas bem longe.

Você já se pegou falando mal dos seus amigos, principalmente sem eles por perto? Já se pegou sendo a bicha má do rolê?

Este artigo foi escrito por Alexis Caught e traduzido da Attitude.