Uma pesquisa com mais de 500 homens gays e bi realizada pelo aplicativo de relacionamento Chappy trouxe foco ao problema do racismo dentro da comunidade LGBT.

Quase 40% dos homens gays e bissexuais britânicos dizem querer que aplicativos de relacionamento incluam uma tecnologia que permita filtrar parceiros potenciais de acordo com a raça.

Mais de um quarto das pessoas que responderam a pesquisa (27%) disse que leva a raça do pretendente em consideração ao escolher um parceiro sexual.

As descobertas chocantes (mas não muito) vêm a tona com relatórios do Chappy que mostram que homens gays negros, asiáticos ou de etnias minoritárias têm 5 vezes mais chances de ser discriminado racialmente por outros homens gays, do que homens brancos.

Ainda de acordo com o estudo, mais de um terço dos homens de etnias minoritárias (35%) dizem que sentem terem vítimas de preconceito racial, comparado a apenas 7% de homens gays brancos.

11,3% dos entrevistados no relatório do Chappy eram gays e bi de etnias minoritárias – um número que reflete aproximadamente o demográfico gráfico do Reino Unido.

Por outro lado, alguns dos entrevistados expressaram seu apoio a “filtros de raça” como uma forma de “proteção” contra a discriminação racial que eles geralmente enfrentam em aplicativos de encontros gays.

Ozzy Amir, fundador do The BAME LGBT Charity, que se esforça para capacitar e empoderar pessoas queer de cor no Reino Unido, disse que as descobertas foram um reflexo do problema profundamente enraizado do racismo dentro da comunidade gay.

Ozzy Amir, fundador do aplicativo Chappy

“Sob o disfarce de ‘preferências’, alguns se sentem confortáveis em ser abertamente racistas em relação às pessoas de etnias minoritárias”, disse ele. “Frases como ‘não curto negros, afeminados e asiáticos’ se tornaram a nova norma.”

Ele continuou: “Um número significativo de pessoas de cor agora escolhe se separar da cultura gay tradicional por medo de sofrer mesma discriminação e hostilidade vistas online.

“Isso leva a um ciclo de autorreforço da exclusão e invisibilidade.”

O app Chappy, lançado em 2017 como uma alternativa mais focada em relacionamento para aplicativos sociais tradicionais para homens gays, disse que continuaria a desafiar o racismo baseado em aplicativos com uma política de tolerância zero em relação a linguagem e comportamento discriminatórios.”

“Entendemos o impacto que experiências anteriores podem ter sobre nosso público em nosso aplicativo. Não permitimos que ninguém no Chappy filtre com base na raça”, afirmaram.

“Acreditamos que nosso aplicativo deve ser um espaço inclusivo, e quando os homens no Chappy não são gentis com os outros através do racismo, nós os banimos.

“Não há segundas chances. Sem discussão.”

A empresa acrescentou: “Como uma comunidade que experimentou e continua sofrendo discriminação, devemos ser proativos em nossas tentativas de minar aqueles que exibem atitudes que são estranhas à sociedade aberta que desejamos construir.”